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12 de nov. de 2016

Ferreira Gullar Versus Os Intelectuais de Esquerda



- Folha de S. Paulo

Cada dia que passa me convenço mais de que, sobretudo quando se trata de política, as pessoas, em geral, têm dificuldade de aceitar a realidade se ela contraria suas convicções.

Recentemente, durante um almoço, ouvi, perplexo, afirmações destituídas de qualquer vínculo efetivo com a realidade dos fatos. Minha perplexidade foi crescendo tanto que, após tentar mostrar o despropósito do que afirmavam, fingi que necessitava ir ao banheiro e não voltei mais ao tal papo furado.

Não resta dúvida de que, até certo ponto, essa dificuldade de aceitar a realidade decorre do momento que estamos vivendo, tanto no Brasil como no mundo em geral.

Tem-se a impressão de que atravessamos um período de mudanças radicais quando os valores, sejam ideológicos, econômicos ou éticos, entram em crise.

Isso parece ter a ver tanto com as utopias quanto com a implantação de novos meios de comunicação. Estes tornaram o mundo menor ou, dizendo de outro modo, é como se todos os povos, nos diversos pontos do planeta, vivessem uma mesma atualidade. Sabemos, a todo instante, de tudo o que ocorre em qualquer região, em qualquer país, em qualquer cidade do planeta.

No caso de nós, brasileiros, acresce o fato de que chegamos ao fim de uma fase que culminou no afastamento da presidente da República e na implantação de um governo interino, agora permanente. Acresce o fato de que o governo que findou era a expressão de um regime populista, caracterizado por um ideologismo demagógico, apoiado no setor pobre e carente da população. Na verdade, versão primária de um regime dito de esquerda em aliança com o capitalismo corrupto, que ele fingia combater.

Pois bem: que o povão desinformado se deixe levar pelas benesses recebidas é compreensível. Difícil de explicar, porém, é a atitude de intelectuais de esquerda que aceitam a burla como verdade.

E era isso que transparecia na tal conversa do encontro a que me referi no começo desta crônica. Uma das pessoas presentes, dizendo-se contra Dilma Rousseff, tampouco admitia o governo Michel Temer. Quando a lembrei que o governo de Temer tinha apenas um mês de existência e que herdara do anterior uma situação crítica com mais de 11 milhões de desempregados, ela respondeu: "Na cidadezinha onde moro não há desemprego. Duvido muito desses números".

Lembrei-a que aqueles eram dados do IBGE, divulgados havia três meses, quando ainda era Dilma quem presidia o país, ela respondeu: "E o IBGE não podia estar infiltrado por adversários do governo?"

É que essa senhora se diz de esquerda e, embora não possa negar o estado crítico a que o PT conduziu o país, usa de argumentos infundados para colocar em dúvida o fracasso petista. Já observaram que os que defendem esse populismo nunca tocam nos escândalos revelados pela Lava Jato, no assalto à Petrobras, nas propinas dadas a funcionários e políticos inclusive do PT? É que têm dificuldade de aceitar a realidade dos fatos e admitir que estão errados. E se alguém faz referência a tais escândalos, gritam: "Mas isso é mentira!" Ou seja, para quem não suporta a realidade, só é verdade o que lhe convém.

Saí dessa roda e fui me sentar com outro grupo, que falava de futebol, particularmente do Vasco, meu time do coração, que anda mal das pernas, pois acabara de ser desclassificado, ainda na primeira rodada da Copa do Brasil. Mas eis que chega um velho companheiro, simpatizante do PC do B, do finado PCB e muda o assunto da conversa, de futebol para a polícia. Foi então que um dos presentes afirmou que o comunismo já acabara, uma vez que a própria China era hoje a segunda maior potência capitalista do mundo.

– Isso não, contestou o velho comuna. O comunismo está mais vivo do que nunca. A China encarna a nova forma que o regime socialista ganhou.


– Sim –brinquei eu–, é o comunismo capitalista! Todos riram, menos o autor daquela tese surrealista.

Ferreira Gullar

5 de mai. de 2016

RELENDO A BÍBLIA: ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU


Eu tinha 8 pra 9 nove anos de idade, filho único, um tanto solitário, vivendo, nessa época, na Rua Major Delfino Calvo, em São Domingos do Maranhão. Minha mãe era uma católica fervorosa, reta e temente a Deus, mas um tanto exagerada na questão da culpa e do castigo. Claro, pessoas são diferentes. Umas se impressionam mais que outras. E meu Deus, quando criança, era igual ao Deus de todos os da minha geração, conforme tempo e lugar. O Deus de barbas e cabelos brancos, vingador, carrasco que não perdoa mal feito, aos olhos das crianças de hoje seria uma espécie de super herói dos quadrinhos, Demolidor, Batman, Wolverine, ah, quem sabe O Justiceiro.
Eu tinha um primo mais velho, José Antônio, que freqüentava muito nossa casa e conversava muito com minha mãe sobre religião, passagens da bíblia, coisas assim. E foi devido ao fato de ficar por fora da conversa que resolvi ler a bíblia do princípio ao fim, e assim o fiz. Foram meses e meses. Nem lembro quantos.
A minha coluna de hoje é dedicada à Bíblia, que resolvi reler. Não se pode confundir seus ensinamentos e virar fundamentalista ou ateu. Nada extremado. Não se pode fazer como esta figura maluca e bizarra do Jean Wyllys que apresentou projeto pra suprimir partes do que ele considera homofobia no livro sagrado. Retira o que fala de homicidas, Exclui-se adultérios. Tiremos também tudo sobre a arte de roubar. Ou seja, não restaria uma linha sequer. Por isso que já existiram os muito loucos queimadores de livros. Gente que não suporta verdades. Caras que deviam estar numa camisa-de-força ou no quinto dos infernos.
A gente sempre deve ler a Bíblia. Tem histórias, aventura, medicina, literatura, sabedoria, profecia, feitiçaria, adivinhação. A Bíblia é mara! Assim na terra como no céu. Vamos a ela.

Deuteronômio:

Juízes e oficiais constituirás em todas as tuas cidades
que o Senhor, teu Deus, te der entre as tuas tribos,
para que julguem o povo com reto juízo.
Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas,
Nem tomarás suborno; porquanto o suborno cega
os olhos dos sábios e subverte a causa dos justos.
                             
Inclinai os ouvidos, ó céus,
e falarei;
e ouça a terra as palavras
da minha boca.
Goteje a minha doutrina
como a chuva,
destile a minha palavra
como o orvalho,
como chuvisco sobre a erva.
Porque proclamarei
o nome do Senhor.


2 Samuel:

Cântico de Davi em Ações de Graças

O Senhor é a minha rocha,
a minha cidadela, o meu libertador;
o meu Deus, o meu rochedo
em que me refugio;
o meu escudo,
a força da minha salvação,
o meu baluarte e o meu refúgio.
Ó Deus, da violência tu me salvas.
Invoco o Senhor,
digno de ser louvado,
e serei salvo dos meus inimigos.
Porque ondas de morte me cercaram,
torrentes de impiedade
me impuseram terror;
cadeias infernais me cingiram,
e tramas de morte
me surpreenderam.
Na minha angústia,
Invoquei o Senhor,
clamei a meu Deus;
ele, do seu templo,
ouviu a minha voz,
e o meu clamor chegou
aos seus ouvidos.
Então, a terra se abalou e tremeu,
Vacilaram também
os fundamentos dos céus
e se estremeceram
porque ele se indignou.
Das suas narinas subiu fumaça,
e, da sua boca, fogo devorador;
dele saíram carvões, em chama.
Baixou ele os céus, e desceu,
e teve sob os pés densa escuridão.
Cavalgava um querubim e voou;
e foi visto sobre as asas do vento.


Neemias:

Fizeste sinais e milagres contra Faraó e seus servos e contra todo o povo da sua terra, porque soubeste que os trataram com soberba; e, assim, adquiriste renome, como hoje se vê.
Dividiste o mar perante eles, de maneira que o atravessaram em seco; lançaste os seus perseguidores nas profundezas, como uma pedra nas águas impetuosas.
Guiaste-os, de dia, por uma coluna de nuvem e, de noite, por uma coluna de fogo, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir.


Jó:


Pereça o dia em que nasci
e a noite em que se disse:
Foi concebido um homem!
Converta-se aquele dia em trevas;
e Deus, lá de cima,
não tenha cuidado dele,
nem resplandeça sobre ele a luz.
Reclamem-no as trevas
e a sombra da morte;
habitem sobre ele nuvens;
espante-o tudo o que pode enegrecer
o dia.
Aquela noite, que dela se apoderem
densas trevas;
não se regozije ela
entre os dias do ano,
não entre na conta dos meses.
Seja estéril aquela noite
e dela sejam banidos os sons de júbilo.


Provérbios:

A mulher sábia edifica a sua casa,
mas a insensata, com as próprias
mãos, a derriba.

O que retém a vara
 aborrece a seu filho,
mas o que o ama, cedo, o disciplina.

Mais fundo entra a repreensão
no prudente
do que cem açoites no insensato.

Como beijo nos lábios,
é a resposta com palavras certas.

A alma farta pisa o favo de mel,
mas à alma faminta
todo amargo é doce.   



Pesquisa e texto final:

Raimundo Fontenele


13 de fev. de 2016

Movimento Antroponáutica - Atitude e Ousadia Poética No Maranhão em Meio ao Regime Militar


Viriato Gaspar, Raimundo Fontenele, Chagas Val, Valdelino Cécio, L.A Cassas
Por Natan Castro

No inicio dos anos 1970 cinco jovens poetas maranhenses resolveram propor uma ruptura com a tradição poético/literária do estado. Já vivíamos a segunda metade do século XX e por aqui ainda eram perceptíveis traços do simbolismo e parnasianismo nas obras de poesias que eram lançadas. Os cinco propunham uma renovação urgente no fazer poético no Maranhão. Eram eles Viriato Gaspar, Raimundo Fontenele, Chagas Val, Valdelino Cécio e Luis Augusto Cassas, todos poetas genuínos que tinham como interesse maior renovar a poesia no Estado do Maranhão, rompendo com as antigas escolas literárias do Século XIX que tanto influenciaram as gerações passadas. Deles somente Raimundo Fontenele possuía um livro lançado. O nome do movimento é uma homenagem ao poeta Bandeira Tribuzzi,  Antroponáutica é o nome de um poema de sua autoria. O poeta inclusive era junto do grande Nauro Machado e José Chagas, os únicos da geração anterior que os Antroponautas enalteciam e citavam como influência.

Por volta de 1971 começaram os encontros num bar no Canto da Viração no centro de São Luís, as reuniões eram regadas a cerveja e muita discussão em torno dos caminhos futuros da poesia maranhense. A principio o primeiro passo era chamar a atenção da elite literária da capital, o que foi alcançado logo depois que nomes como João Mohana, Nascimento de Moraes, Arlete Nogueira, Jomar Moraes e Nauro Machado perceberam a chegada dessa nova leva de jovens poetas que buscavam mudanças no meio literário do Maranhão. O reconhecimento devido foi buscado ferrenhamente pelos cinco, quase não havia espaço para publicação de seus artigos e poemas, como muita luta começaram as publicações no Jornal do Dia (jornal comprado pelo Sarney que veio a se tornar o Estado do Maranhão), o Jornal do Maranhão (da Arquidiocese), que tinha um critico de cinema o José Frazão que também acolheu muito bem as novas ideias do pessoal.  Após tanto esforço, de fato o primeiro passo havia sido alcançado, os Antroponautas haviam sido reconhecidos como novos nomes da literatura maranhense. Logo em seguida saiu a famosa Antologia Poética do Movimento Antroponáutica e logo depois foram convidados a integrar um projeto da Fundação Cultural que publicou os cinco juntamente com outros novos poetas na Antologia Hora do Guarnicê.

O lançamento do livro Às Mãos do Dia  do Antroponauta Raimundo Fontelene

A seguir a narração detalhada do inusitado lançamento nas dependências da Biblioteca Pública Benedito Leite, pelo próprio Raimundo Fontenele, em entrevista dada a este que vos escreve.

Biblioteca Benedito Leite

R - Vocês sabem. A história é feita de fatos, episódios, circunstâncias, eventos, mil acontecimentos distantes um do outro, mas que por esta força grandiosa que é a marcha da vida e da história se conjugam tudo e todos num momento único para deflagrar a coisa, seja revolucionária ou evolucionária, de reforma ou de acomodação. E por essa época aconteceu o lançamento do meu segundo livro individual, o Às Mãos do Dia, que era para ser uma coisa puramente pessoal, mas acabou transcendendo o particular e inseriu-se nessa paisagem do instante que vivíamos: a ditadura militar em todo o seu reinado e esplendor. Querendo fugir daquelas noites de autógrafos costumeiras, que achávamos até enfadonhas, decidimos que o lançamento do meu livro seria diferente. Aí a gente juntaria artes plásticas e música, e lembro do César Teixeira, do Josias, do Sérgio Habibe, do Jesus Santos, do Ciro, Ambrósio Amorim, Lobato, Tácito Borralho, tanta gente. E o lançamento aconteceu na Biblioteca Pública Benedito Leite. Na noite anterior, após tomarmos algumas cervejas, eu, Viriato, Valdelino e outros ficamos na escadaria da Biblioteca Pública conversando e só, de sarro, planejando o lançamento, e cada um saía com a idéia mais louca. Tipo: no lugar de cadeiras para as autoridades íamos colocar vasos sanitários; colocaríamos uma árvore de natal com ratos pendurados, etc.; íamos convocar mendigos, loucos, os despossuídos para tomarem as escadarias da Biblioteca quando as autoridades e convidados fossem chegando. Ah, e no coquetel no lugar de bebida alcoólica serviríamos leite, mas não em taças e sim em penicos. Novos, claro. Naquele tempo a autoridade maior dos estados era sempre o militar mais graduado, no nosso caso o Comandante do 24 BC. Alguém nos ouviu falar aquelas bobagens e levou a sério. O certo é que o Governador foi acordado pelo Comandante do 24 BC que lhe ordenou visse do que se tratava pois algo de muito grave ia acontecer. Fui chamado às pressas no gabinete do Secretário de Educação (que havia permitido que eu fizesse lá na Biblioteca, órgão da SEC, o lançamento do livro), à época o saudoso Professor Luís Rêgo, um homem boníssimo. Quando entrei em seu gabinete levei um susto, pois ao seu lado estava um Major do Exército. Pálido e trêmulo, ali sentei e o professor Luís Rêgo passou a me interrogar a cerca do lançamento e do que estava programado. Neguei tudo. Disse que era mentira. Jamais faríamos uma coisa daquelas e tal. Despachou-me dali, mas me recomendando prudência, e cuidado com o que ia acontecer, pois estavam de olho. Pela cara do oficial do exército nem precisava de me dizer mais nada.  Pois, mais tarde enquanto estava na Biblioteca em companhia do poeta Viriato Gaspar, ultimando os preparativos do lançamento,, eis que nos aparece um agente da Polícia Federal. E dirigindo-se a mim diz que estava a minha procura, e porque nada mandara o livro para a Censura, e cadê o livro e tal e coisa, e nos colocou em sua viatura fomos até onde eu residia, pegamos um livro, e enquanto eu lia, o motorista nos levou até a sede da Polícia Federal, naquela época ali na Rua Grande na altura do Ginásio Costa Rodrigues. Novo interrogatório pelo delegado de plantão. O Viriato saiu-se bem nas respostas. E quando o delegado quis saber dos mendigos (olha a subversão) que íamos levar, o Viriato disse que não tinha nada a ver, aquilo era uma peça de teatro que estávamos escrevendo e tão logo ficasse pronta levaríamos lá no Serviço de Censura. O certo é que à noite a Biblioteca lotou. Talvez até curiosos, além de meus convidados, muitas autoridades se fizeram presentes. Secretário de Educação, o Prefeito Haroldo Tavares, e lá atrás de uma daquelas colunas reconheci o agente da PF de nome Mateus, esperando que eu saísse da linha no meu discurso para me grampear. Mas o resultado prático da repressão, que é o cerne desta pergunta, é que nós, os jovens (falo dos jovens em geral e não especificamente do nosso grupo), tomamos rumos diferentes: uns foram para o comodismo da vida privada, outros foram para luta armada, e no meu caso, no primeiro momento, abandonei tudo e embarquei numa carona com os hippies e fiquei vagando pelo país uns três a quatro meses, metido no universo da Contracultura, cujo estímulos vinham da geração beat, e era uma época rica e enriquecedora, chegávamos ao desregramento de todos os sentidos, na vida e na arte, aquilo que o poeta Arthur Rimbaud profetizara um século antes. E a nossa geração foi importante porque abriu caminho pra todos vocês que vieram depois de nós. É o ciclo da vida, quer reconheçamos ou não. Ele existe. Ele é.


O Maranhão desde Gonçalves Dias deu inicio a uma tradição literária que continua até os dias atuais, do Romantismo para cá apresentamos ao país e ao restante do mundo, uma quantidade satisfatória de grandes literatos, para não citar outros gêneros da arte. A geração da Antroponáutica que hoje nos parece quase esquecida pelos tais entes da cultura do Estado, possui um papel relevante, quando o assunto é a renovação dessa brilhante tradição. Os cinco jovens poetas buscaram espaço devido, sonharam com as mudanças e ao conseguir colocaram heroicamente seus nomes na história da arte e da cultura do Maranhão. Tudo isso num período onde a náusea artística era vista como algo peçonhento e altamente prejudicial ao poder estabelecido. 

4 de fev. de 2016

Cassandra Rios – Escritora erótica mais censurada do Brasil


Cassandra Rios
Por Natan Castro

Cassandra Rios foi uma escritora erótica brasileira, Cassandra era filha de espanhóis, lançou seu primeiro livro aos 16 anos, nessa estreia Cassandra foi patrocinada pela mãe.  Cassandra possui o titulo de escritora mais censurada do período da repressão militar, ela também foi a primeira escritora a alcançar a marca de 1 milhão de livros vendidos no Brasil.


Num período onde a temática da sexualidade era vista como proibida em todos os meandros da sociedade. A ousadia da escritora saltava os olhos de muitos, em
contrapartida seus livros vendiam como “água” em tempos onde quase tudo estava proibido, tempos muitos diferentes do atual onde vivemos um amplo debate sobre os direcionamentos sexuais de forma bastante abrangente. O inicio de sua carreira literária se deu na década de 40, a escritora que era lésbica foi a primeira a tratar do assunto de forma deliberada em diversos livros, tendo a maioria deles sendo censurados pelos censores da ditadura, por volta de 1976 existia na lista dos censores cerca de 33 títulos da autora.

É quase surreal a trajetória de Cassandra Rios, escritora desde cedo, mulher e ainda por cima lésbica, chegou a alcançar uma grande leva de leitores, se tornando uma autora de Best Sellers algo almejado por diversos escritores do sexo oposto. Cassandra Rios faleceu em 2002 aos 69 anos de idade. Em 2013 foi lançado o documentário Cassandra Rios, a Safo de Perdizes . O documentário tem depoimentos de parentes, editores e da atriz Nicole Puzzi que além de amiga da escritora chegou a atuar num filme baseado em um de seus livros.