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4 de out. de 2016

Humberto de Campos - Homenageado de Outubro




De origem humilde, era filho de Joaquim Gomes de Farias Veras e Ana de Campos Veras. Nasceu no então município maranhense de Miritiba - hoje batizado com o seu nome. Com a morte do pai, aos seis anos, mudou-se para São Luís, onde começou a trabalhar no comércio local para auxiliar na subsistência da família. Aos dezessete muda-se, novamente, para o Pará, onde começa a exercer atividade jornalística na Folha do Norte e n'A Província do Pará.[1]

Em 1910, quando contava 24 anos, publica seu primeiro livro de versos, intitulado "Poeira" (1.ª série), que lhe dá razoável reconhecimento. Dois anos depois, muda-se para o Rio de Janeiro, onde prossegue sua carreira jornalística e passa a ganhar destaque no meio literário da Capital Federal, angariando a amizade de escritores como Coelho Neto, Emílio de Menezes e Olavo Bilac. Começa a trabalhar no jornal "O Imparcial", ao lado de figuras ilustres como Rui Barbosa, José Veríssimo, Vicente de Carvalho e João Ribeiro.[1] Torna-se cada vez mais conhecido em âmbito nacional por suas crônicas, publicadas em diversos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais brasileiras, inclusive sob o pseudônimo "Conselheiro XX".

Em 1919 ingressa na Academia Brasileira de Letras, sucedendo Emílio de Menezes na cadeira n.º 20. Um ano depois ingressa na política, elegendo-se deputado federal pelo seu Estado natal, tendo seus mandatos sucessivamente renovados até a eclosão da Revolução de 1930, quando é cassado. Após passar por um período de dificuldades financeiras, é nomeado, graças à admiração que lhe votavam figuras de destaque do Governo Provisório, Inspetor de Ensino no Rio de Janeiro e, posteriormente, diretor da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Em 1933, com a saúde já debilitada, Humberto de Campos publicou suas Memórias (1886-1900), na qual descreve suas lembranças dos tempos da infância e juventude. A obra obteve imediato sucesso de público e de crítica, sendo objeto de sucessivas edições nas décadas seguintes. Uma segunda parte da obra estava sendo escrita por Humberto de Campos quando de seu falecimento, vindo à lume postumamente sob o título de Memórias Inacabadas.

Após vários anos de enfermidade, que lhe provocou a perda quase total da visão e graves problemas no sistema urinário, Humberto de Campos faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de dezembro de 1934, aos 48 anos, em virtude de uma síncope ocorrida durante uma cirurgia.

Tendo Humberto de Campos falecido no auge de sua popularidade, diversas coletâneas de crônicas, anedotas, contos e reminiscências de sua autoria foram publicados nos anos seguintes a sua morte, época em que também vieram a lume diversos livros supostamente escritos pelo espírito do escritor, por meio da psicografia do médium Chico Xavier. Os familiares de Humberto de Campos processaram judicialmente este último, alegando a ausência de pagamento de direitos autorais. A demanda, que provocou grande polêmica na época, foi julgada improcedente.

Em 1950, nova polêmica: o Diário Secreto mantido pelo autor em alguns períodos da década de 1910 e com assiduidade de 1928 até sua morte é divulgado pela revista O Cruzeiro, cujos editores o publicam em livro em 1954. A publicação causou escândalo à época de sua publicação em razão de diversos registros e impressões pessoais feitos por Humberto de Campos a respeito de pessoas de grande notoriedade nas letras, política e sociedade de sua época, incluindo Machado de Assis, Getúlio Vargas, Olavo Bilac, e outros.

Sucessivas edições das Obras Completas de Humberto de Campos foram publicadas por diversas editoras (José Olympio, Mérito, W. M. Jackson, Opus) até 1983.

As constantes preocupações de ordem financeira, as quais o obrigavam a redigir diariamente crônicas, contos e artigos de crítica literária a fim de garantir sua subsistência, bem como os prolongados problemas de saúde que resultaram em uma morte prematura, impediram Humberto de Campos de se debruçar sobre projetos literários de maior envergadura, razão pela qual parcela substancial de sua bibliografia é constituída de coletâneas de seus escritos, os quais constituem útil instrumento para a análise da vida cotidiana e literária dos anos 1910, 1920 e 1930 no Brasil. A temporalidade que caracteriza essa parcela substancial de sua bibliografia parece ser a principal razão para o pouco interesse que atualmente o seu nome desperta entre os leitores e no meio acadêmico.

Fonte:Wikipédia

6 de mai. de 2016

Parnaso Além Túmulo - A Confirmação da Vida Após a Morte Através de Grandes Poetas


Capa Parnaso de Além Túmulo
Por Natan Castro

Francisco Cândido Xavier foi um médium brasileiro natural do município de Pedro Leopoldo em Minas Gerais. Reconhecidamente o maior expoente do espiritismo do Brasil e um dos maiores do mundo ao lado do codificador da doutrina espirita Allan Kardec. Chico Xavier desde cedo mostrou ser detentor de uma mediunidade extremamente acentuada, mediunidade essa que se espalhava por diversos campos, clarividência e a psicografia eram as principais, com essa última ficou conhecido no país inteiro, através das cartas psicografadas ajudou a reduzir o sofrimento de diversas famílias que perderam seus entes queridos.

Quando tinha 17 anos Chico Xavier começou a receber visita de um espirito de um grande poeta paraibano considerado por muitos um dos maiores poetas do Brasil de todos os tempos. O poeta era Augusto dos Anjos, segundo Chico Xavier o poeta pedia ao médium a permissão para escrever através de sua mediunidade poemas, aos poucos outros espíritos poetas foram aparecendo dentre eles havia ainda o poeta simbolista Cruz e Sousa, o poeta romântico baiano Castro Alves dentre outros grandes poetas. Ao final se contava mais de 60 poetas com seus poemas todos escritos através da sensitividade de Chico Xavier, desses poetas havia também poetas portugueses.

O nome do livro escolhido para essa coletânea de poemas foi Parnaso Além Túmulo, logo após do lançamento a publicação causou em muitos um assombro com a beleza dos poemas e em outros criticas ferozes, muitas delas envolvidas de fortes insultos, citando a figura de Chico Xavier como um mero falsário. Desses problemas por conta do lançamento desse primeiro livro psicografado de Chico Xavier, talvez o maior dele tenha sido o processo imputado pela família do literato maranhense Humberto de Campos, depois de um período bastante pesado em face desse processo judicial, a mãe do escritor solicitou a família que retirasse o processo contra o médium, citando ela estar certa que os poemas eram de fato de se inspiração de Humberto de Campos seu filho.

Na Academia Brasileira de Letras foram diversos os debates sobre a origem da titularidade dos poemas, duas correntes citavam com mesma veemência a fraude e a magnificência original dos poemas advindos dos grandes poetas já falecidos. Um fato muito curioso sobre esse primeiro livro do médium foi a tentativa por parte de dois grandes repórteres da extinta Revista Cruzeiro que foram procurar Chico Xavier para uma entrevista, ao chegarem se apresentaram como jornalistas americanos com o intuito de realizar uma matéria para um suplemento jornalístico americano, a entrevista foi dada a eles e ao final Chico Xavier os presenteou com um exemplar do livro. Quando os dois retornaram da viagem a Minas Gerais, um deles liga para o outro e pergunta se ele havia lido a dedicatória do livro feita por Chico Xavier, após verificar assim como o amigo havia feito, observou para seu assombro que a dedicatória colocada pelo médium fazia referência a seus nomes reais e não aos nomes americanos que os dois haviam se apresentado a Chico Xavier. Dizem os biógrafos de Chico que a dedicatória com os nomes reais teria sido repassada pelo mentor espiritual de Chico Xavier o espirito Emmanuel, a vida de Chico é recheada de passagens miraculosas como essa.

 NA IMENSIDADE
(Augusto dos Anjos)

Alma humana, alma humana, tu que dormes
Entre os grandes colossos desconformes
Da carne, essa voraz liberticida,
Desse teu escafandro de albuminas,
Em tua mesquinhez não imaginas
A intensidade esplêndida da Vida!
Inda não vês e eu vejo panoramas
De luz em gigantescos amalgamas
De sóis, nas regiões imensuráveis,
Auscultando os espaços mais profundos
Na sinfonia harmônica dos mundos,
Singrando a luz de céus incomparáveis.
Do teu laboratório de arterites,
De gangliomas, úlceras, nevrites
Ao lado de humaníssimas vaidades,
Não podes perceber as ressonâncias,
Quinta-essências de todas as substâncias
Na fluidez das eletricidades.
Aqui não há vertigens de nevróticos,
Nem bisonhos aspectos de cloróticos
Nas estradas de eternos otimismos!
A vida imensa é coro de grandezas,
Submersão nas fluídicas belezas,
Envergando os etéreos organismos.
Ante a minhalma fulgem ideogramas,
Pensamentos radiosos como chamas,
Combinações no mundo das imagens;
São vibrações das almas evolvidas
E que, concretizadas e reunidas,
Formam luminosíssimas paisagens...
Em pleno espaço – Imensidade de ânsias,
Sem aritmologias das distâncias,
Sem limites, sem número, sem fim.
Deus e Pai, ó Artista Inimitável,
Deixai meu ser esdrúxulo, execrável,
No prolongado e edênico festim!